Edição Especial · 2026

O Trabalho
Depois do Mundo que Conhecíamos

Como a pandemia de COVID-19 acelerou transformações históricas nas relações de trabalho — e o que a Psicologia Organizacional tem a dizer sobre isso.

Psicologia Org.Unidades 1 & 2
Faculdade MVGestão Hospitalar
2026Edição anual
NomesStephanie Israel - William Tessari - Ana Caroline - Manuela Roldão
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trabalhadores em home office em 2020
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períodos históricos da Psicologia Org.
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níveis na pirâmide de Maslow
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primeiro marco oficial — Münsterberg

"O trabalho, desde sempre, nos constitui como humanos. A pandemia apenas nos lembrou disso."

    ▸ PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL: 4 períodos históricos de transformação   ·   ▸ PANDEMIA acelerou mudanças que levariam décadas   ·   ▸ HOME OFFICE: novo desafio para saúde mental do trabalhador   ·   ▸ MASLOW revisitado: necessidades humanas em tempos de crise   ·   ▸ PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL: papel essencial nas empresas pós-COVID   ·   ▸ CULTURA ORGANIZACIONAL: identidade que guia o comportamento nos tempos de mudança     

O trabalho em transformação

1913 Münsterberg 1945 Bem-estar social 1970 Neoliberalismo 2000+ Globalização 2020 COVID-19 A evolução histórica da Psicologia Organizacional
Capa · Especial COVID-19

De Münsterberg à pandemia: 110 anos de Psicologia e trabalho

Desde a publicação de Psychology and Industrial Efficiency, em 1913, a Psicologia Organizacional passou por quatro grandes períodos históricos. Com a chegada da pandemia de COVID-19 em 2020, o mundo do trabalho sofreu uma ruptura sem precedentes — e a Psicologia se viu diante de seus maiores desafios e oportunidades.

Luto, isolamento, ansiedade, trabalho remoto e desemprego em massa tornaram-se experiências coletivas da noite para o dia, acelerando transformações que levariam décadas em condições normais.

Por Natália Yukari Mano · Psicologia Organizacional · Faculdade Moinhos de Vento
Análise

O home office que veio para ficar: entre liberdade e adoecimento

A fusão do lar com o trabalho criou novos territórios de sofrimento psíquico que a Psicologia Organizacional precisa compreender.

Teoria

Taylor, Maslow e o trabalhador digital: a herança dos clássicos

Os princípios de Taylor e a pirâmide de Maslow ainda explicam o comportamento nas organizações contemporâneas?

Saúde Mental

Burnout em alta: quando o trabalho desumaniza

O aumento de 30% nos diagnósticos de burnout após a pandemia evidencia o preço da nova organização do trabalho sobre a subjetividade humana.

"O trabalho, que deveria ser humanizador, no sistema capitalista, torna-se alienante, explorador, humilhante, monótono." — Borges e Yamamoto, 2014 · adaptado
Linha do Tempo

A história do trabalho e da Psicologia Organizacional

Clique em cada período para expandir os detalhes

1913
Primeiro período: A industrialização
Münsterberg publica Psychology and Industrial Efficiency. Foco em seleção de pessoas e aumento de produtividade.
Frederick Taylor propõe quatro princípios: análise de cargos, seleção, treinamento e recompensa. A Psicologia entra nas fábricas como ferramenta de otimização da força de trabalho. O objetivo era encontrar "a pessoa certa para o cargo certo".
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1945
Segundo período: O bem-estar social
Pós-guerra traz reconstrução social. Comportamento gerencial ganha atenção: liderança, motivação e participação.
Maslow publica Motivation and Personality em 1954, propondo a célebre pirâmide de necessidades humanas. O Estado de Bem-estar Social exige que as organizações considerem o trabalhador como ser humano integral, não apenas como recurso produtivo.
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1970
Terceiro período: Crítica e qualidade de vida
Ascensão do neoliberalismo. Psicologia começa a criticar o sistema e volta o olhar para a qualidade de vida e ética.
A Psicologia passa de instrumento de controle a agente crítico. Surgem conceitos como qualidade de vida no trabalho e ética empresarial. Os modelos de gestão migram do controle para o engajamento e comprometimento dos trabalhadores.
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2000+
Quarto período: Globalização e tecnologia
Neoliberalismo consolida-se. Novos conceitos: capital intelectual, gestão do conhecimento, organizações virtuais.
A Psicologia Organizacional enfrenta desafios sem precedentes: desigualdade social crescente, terceirização, automação e desemprego tecnológico. A saúde do trabalhador torna-se o principal foco, com o aumento de transtornos mentais relacionados ao trabalho.
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2020
COVID-19: A grande ruptura
Em meses, o mundo do trabalho foi redesenhado. Luto, isolamento, home office, desemprego e ansiedade tornaram-se realidade coletiva.
A pandemia acelerou transformações que levariam décadas: digitalização compulsória, trabalho remoto em massa, colapso do emprego formal, fronteiras dissolvidas entre vida pessoal e profissional. O psicólogo organizacional tornou-se peça-chave para suportar essa transição.
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O impacto da pandemia em números

47%
dos profissionais relataram aumento de estresse no trabalho remoto
3x
aumento em diagnósticos de burnout entre 2019 e 2022
62%
das empresas adotaram modelo híbrido como permanente
85%
das organizações de saúde implementaram novos programas de saúde mental
+40%
na demanda por psicólogos organizacionais entre 2020 e 2023
28h
jornada média extra não remunerada por mês no home office

Fundamentos que explicam o presente

01 Psicologia Organizacional

O que a pandemia revelou sobre as organizações de trabalho

Segundo Zanelli e Bastos (2014), a Psicologia Organizacional se constitui como campo de promoção de mudanças e melhores condições de vida no contexto do trabalho. A pandemia colocou essa missão à prova como nunca antes.

Empresas que antes resistiam ao home office foram obrigadas a experimentá-lo. Líderes que gerenciavam pela presença precisaram aprender a confiar. Trabalhadores que separavam rigidamente vida pessoal e profissional viram essas fronteiras dissolverem-se.

A Psicologia Organizacional, por sua fértil produção para a administração, firmou-se como aliada essencial da gestão de negócios — especialmente em tempos de crise.
02 Subjetividade & Trabalho

Quando o tripalium invade a sala de estar

A palavra "trabalho" deriva do latim tripalium — instrumento de tortura. Para Furtado (2011), o trabalho, que deveria ser humanizador, torna-se alienante no sistema capitalista. A pandemia intensificou esse paradoxo.

Com o home office compulsório, o sofrimento entrou literalmente no espaço doméstico. A mistura de papéis — trabalhador, cuidador, estudante, tudo ao mesmo tempo — gerou novas formas de esgotamento psíquico que a Psicologia Organizacional ainda está aprendendo a nomear.

Vygotsky compreendia que, a partir do trabalho, humanidade e cultura se estabelecem. Subvertê-lo significa subverter a própria constituição humana.
03 Cultura Organizacional

Cultura e clima sob pressão: o teste da pandemia

Chiavenato (2014) define cultura organizacional como um "poder invisível" enraizado na organização. A pandemia testou a solidez dessas culturas: empresas com culturas genuinamente humanas adaptaram-se mais facilmente; as baseadas em controle e presença, colapsaram.

O clima organizacional — percepção temporária e em constante movimento — despencou em muitas organizações durante 2020-2021, refletindo incerteza, luto e medo coletivos. Pesquisas de clima tornaram-se ferramentas urgentes de diagnóstico e intervenção.

Cultura é identidade — difícil de mudar. Clima é percepção — pode mudar rapidamente. A pandemia foi um experimento involuntário sobre os limites de ambos.
04 O Papel do Psicólogo

O psicólogo organizacional na linha de frente da crise

O compromisso ético e político da Psicologia, baseado no Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005), ganhou nova urgência com a pandemia. O psicólogo organizacional precisou atuar em múltiplas frentes simultaneamente.

Diagnóstico de saúde mental dos trabalhadores, manejo do estresse e burnout, consultoria sobre novos modelos de trabalho, suporte às lideranças — todas essas demandas explodiram ao mesmo tempo, em organizações de todos os setores, incluindo a saúde.

Não é suficiente que os psicólogos se adaptem às exigências da empresa sem questionamentos. É preciso superar contradições — Furtado, 2011.

A Pirâmide de Maslow e a pandemia

Clique em cada nível da pirâmide para entender como a pandemia impactou cada dimensão das necessidades humanas no contexto do trabalho.

Autorrealização
Estima
Aspectos Sociais
Segurança
Necessidades Fisiológicas

Selecione um nível da pirâmide

A teoria de Maslow (1954) propõe que nossas escolhas e prioridades são ordenadas conforme nossas necessidades básicas estejam sendo atendidas. A pandemia perturbou todos os níveis simultaneamente — um evento sem precedentes na história recente.

Autorrealização: criatividade e desenvolvimento

Com a pandemia, projetos de desenvolvimento de carreira, capacitações e atividades criativas foram suspensos ou postergados. Trabalhadores perderam espaços de realização profissional que davam sentido ao trabalho. O psicólogo organizacional precisou recriar esses espaços no ambiente remoto.

Estima: reconhecimento e prestígio no trabalho

O isolamento tornou o reconhecimento menos visível. Sem os rituais presenciais — uma palmada nas costas, o cumprimento na reunião —, muitos trabalhadores sentiram que seu esforço havia se tornado invisível. As taxas de pedido de demissão por falta de reconhecimento explodiram no período.

Aspectos sociais: pertencimento e afeto

O isolamento social atingiu em cheio esta dimensão. O sentimento de pertencer a uma equipe, de ter vínculos afetivos no trabalho, foi severamente comprometido. Empresas que investiram em rituais de convivência virtual conseguiram preservar parte desse vínculo.

Segurança: estabilidade e proteção

O medo do desemprego, da contaminação e da instabilidade econômica ativou de forma aguda as necessidades de segurança. Organizações que comunicaram com transparência e garantiram estabilidade aos trabalhadores tiveram melhor desempenho e menor rotatividade no período.

Necessidades fisiológicas: saúde e subsistência

A pandemia colocou em risco a própria sobrevivência física de muitos trabalhadores — especialmente os de linha de frente da saúde. Para trabalhadores em home office, questões como ergonomia deficiente, sedentarismo e privação de sono tornaram-se preocupações urgentes de saúde do trabalho.

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5 perguntas sobre Psicologia Organizacional e as transformações do trabalho

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